domingo, 22 de janeiro de 2017

Imagino uma ambulância como se fosse um meio que existe entre salvar vidas ou deixar chegar a morte. Não deveríamos morrer por doenças físicas... mas são elas que nos fazem morrer.
Somos frutos de uma matéria mortal e que a qualquer momento pode abandonar a nossa alma.

Foi exatamente assim, que me senti... por um fio.
Mas não é isso que faz a minha cabeça não parar de pensar, e sim o fato de que tenho, tive ou estava com sorte. E se tenho sorte, ela não é pouca. Já me salvou algumas vezes e nunca estive sozinha quando precisei.
Acho que alguém já sabia que eu não me cuidaria bem sozinha e me enviou guardiões por toda parte. A começar pelo meu anjo mãe, uma que fez mais do que tudo para que eu chegasse ao mundo, outra que quis mais do que tudo que eu continuasse no mundo.
Uma foi instrumento e a outra como um verdadeiro guardião.
E desde o dia em que me teve no colo, me foi muito fiel.
Não sei, mas me parece que tenho um grande papel nesse mundo.
Mesmo sendo tão doloroso continuar nele, ele não me deixa ir embora, ele me força a voltar. E sabe o que me faz voltar? O sobrenatural me faz voltar. E o que seria exatamente o sobrenatural? É o que me faz vibrar. É o que me faz vomitar dores de alegria. É o aquilo exatamente aquilo que faz com que eu sinta o meu corpo existindo no mundo, a minha alma no mundo.
E quando o quase tá chegando, acontece algo muito mágico que me faz desistir de ir e continuar por lutar. Mas não é uma luta qualquer, é uma luta desassossegada, é a luta que me faz música para minha alma dançar leve e na brisa.
O sobrenatural é a sensação.
Sentir, sentir coisas que só pertencem a alma é se abrir. Mas sentir coisas que só pertencem a alma e não a cabeça, não a regras cartesianas que estão escritas nos livros é difícil.
Mas é definitivamente essa força que não me deixa morrer.

11 de setembro de 2016

milena

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